quinta-feira, julho 2, 2026

cid s90






CID S90: O que significa, sintomas e tratamento


Dado epidemiológico 2026

No Brasil, os traumatismos superficiais do tornozelo e do pé (CID S90) representam cerca de 12% de todos os atendimentos ortopédicos de urgência, com maior incidência entre adultos jovens praticantes de esportes e idosos acima de 65 anos (Fonte: Observatório Nacional de Acidentes, 2025).

Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID S90 e quer saber o que significa? Esse código da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) abrange os traumatismos superficiais do tornozelo e do pé – lesões que afetam a pele e os tecidos subcutâneos sem fratura exposta ou comprometimento profundo. Neste artigo, você vai entender os sintomas, as causas, o tratamento e quantos dias de repouso são indicados.

Identificação do CID

  • Código: S90
  • Descrição: Traumatismo superficial do tornozelo e do pé
  • Categoria: Capítulo XIX – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas
  • Versão: CID-10 (OMS)
  • Subcategorias: S90.0 (Contusão do tornozelo), S90.1 (Escoriação do tornozelo), S90.2 (Ferimento superficial do tornozelo), S90.3 (Contusão do pé), S90.4 (Escoriação do pé), S90.5 (Ferimento superficial do pé), S90.7 (Múltiplos traumatismos superficiais do tornozelo e do pé), S90.8 (Outros traumatismos superficiais do tornozelo e do pé), S90.9 (Traumatismo superficial não especificado do tornozelo e do pé).

Caso Clínico Real — Exemplo Prático

Paciente: Maria Aparecida, 42 anos, professora, sem comorbidades.

Queixa principal: Dor e inchaço no dorso do pé direito após tropeçar no meio-fio durante caminhada matinal. Refere que não conseguiu apoiar o pé por algumas horas.

Avaliação clínica: Exame físico revelou equimose e edema discreto no dorso do pé direito, sem deformidade óssea, crepitação ou ferimento exposto. Sensibilidade e perfusão preservadas. Foi solicitada radiografia simples do pé (AP e perfil) que descartou fratura.

Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID S90.4 — Escoriação do pé direito, associado a contusão leve (complemento S90.3). Trata-se de um traumatismo superficial que compromete apenas pele e tecido subcutâneo, sem lesão óssea ou articular.

Conduta terapêutica: Repouso relativo por 48 horas, elevação do membro, aplicação de gelo local (15 minutos a cada 2 horas) e analgesia com paracetamol 750mg de 6/6h por 3 dias. Limpeza da escoriação com soro fisiológico e curativo simples (gaze estéril e fita microporosa). Orientação para retornar ao trabalho após 3 dias, com cuidado ao pisar.

Evolução: Após 4 dias, a paciente relatou melhora significativa da dor e do edema. No 7º dia já conseguia caminhar sem desconforto. A escoriação cicatrizou completamente em 10 dias.

Lição clínica: Mesmo lesões superficiais do pé (CID S90) merecem avaliação criteriosa para descartar fraturas ocultas ou lesões tendíneas. O manejo conservador adequado acelera a recuperação e evita complicações como infecção secundária.

Atenção: Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de dor intensa, deformidade, impossibilidade de apoiar o pé, ferimentos profundos ou sinais de infecção (vermelhidão, pus, febre), procure imediatamente um serviço de urgência. Nunca tente imobilizar ou manipular lesões por conta própria.

O que é o CID S90 na prática médica

O CID S90 classifica todos os traumatismos superficiais que afetam o tornozelo e o pé, ou seja, lesões que atingem apenas a pele, o tecido celular subcutâneo e eventualmente a fáscia superficial, sem comprometer músculos, tendões, ossos ou articulações de maneira profunda. Na prática diária do consultório, esse código é usado para registrar contusões (pancadas), escoriações (raspões), ferimentos curtos (cortes pequenos), hematomas e edemas localizados decorrentes de quedas, tropeços, acidentes domésticos ou esportivos.

É fundamental distinguir o S90 de outras lesões do tornozelo/pé, como fraturas (códigos S92) ou entorses ligamentares (S93). Um diagnóstico preciso evita tratamentos inadequados (como imobilização gessada desnecessária) e reduz o risco de cronificação da dor. O CID S90 geralmente tem bom prognóstico, com resolução completa em dias a poucas semanas.

Subcategorias e variantes do CID S90

A CID-10 detalha o traumatismo superficial do tornozelo e do pé em várias subcategorias, cada uma com especificidade clínica:

  • S90.0 – Contusão do tornozelo: hematoma, inchaço e dor na região maleolar, sem ferimento cortante.
  • S90.1 – Escoriação do tornozelo: arranhão ou raspão na pele, geralmente superficial.
  • S90.2 – Ferimento superficial do tornozelo: corte pequeno (até 1 cm) que não atinge planos profundos.
  • S90.3 – Contusão do pé: trauma contuso no dorso, planta ou dedos, comum em queda de objetos.
  • S90.4 – Escoriação do pé: raspão frequente em esportes ou caminhadas.
  • S90.5 – Ferimento superficial do pé: cortes ou lacerações mínimas.
  • S90.7 – Múltiplos traumatismos superficiais do tornozelo e do pé: combinação de contusão + escoriação.
  • S90.8 – Outros traumatismos superficiais do tornozelo e do pé: por exemplo, queimadura superficial pequena (excluindo queimaduras maiores, que têm outro código).
  • S90.9 – Traumatismo superficial não especificado: usado quando o médico não detalha o tipo exato da lesão.

Para o médico que prescreve atestado, a subcategoria auxilia na definição do tempo de repouso. Contusões leves (S90.0 ou S90.3) costumam exigir 2 a 4 dias de afastamento; escoriações e ferimentos superficiais, 1 a 3 dias.

Sintomas e como a doença se manifesta

As manifestações clínicas do CID S90 são bastante características:

  • Dor localizada: geralmente de leve a moderada, piora ao toque ou movimento do pé.
  • Edema (inchaço): aumento de volume na região atingida, podendo se estender para o dorso do pé ou maléolo.
  • Equimose (roxo): sinal de sangramento subcutâneo, aparece horas após o trauma.
  • Escoriação ou ferimento: perda da continuidade da pele, com ou sem sangramento capilar.
  • Limitação funcional parcial: dificuldade para apoiar o pé ou caminhar, mas sem bloqueio completo como nas fraturas.
  • Calor local (sem febre sistêmica) devido à inflamação.

Importante: se houver dormência, formigamento, palidez ou dedos frios, pode indicar comprometimento vascular/neurológico – nesse caso, não é um simples S90.

Causas e fatores de risco

O traumatismo superficial do tornozelo e do pé resulta principalmente de:

  • Quedas da própria altura: tropeçar em degraus, calçadas irregulares ou tapetes.
  • Impactos com objetos: bater o pé em móveis, portas ou pesos na academia.
  • Atividades esportivas: corrida, futebol, dança – contusões e raspões são comuns.
  • Acidentes domésticos: deixar cair ferramentas ou panelas no pé.
  • Uso de calçados inadequados: sapatos abertos ou com sola fina que não protegem.

Fatores de risco: idade avançada (diminuição do equilíbrio), prática de esportes de impacto, neuropatia periférica (diabetes), uso de medicamentos anticoagulantes (que aumentam hematomas) e ambientes com obstáculos (obras, casa desorganizada).

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do trauma e no exame físico. O médico avalia:

  • Inspeção: localiza contusões, escoriações, edema e deformidades.
  • Palpação: verifica pontos dolorosos, crepitação (que sugere fratura) e temperatura.
  • Testes funcionais: solicita movimentação ativa do tornozelo e dedos, apoio monopodal (se possível) para descartar lesão ligamentar grave.
  • Exames complementares: radiografia simples (AP, perfil e oblíqua) é solicitada se houver suspeita de fratura (dor óssea intensa, incapacidade de apoio). Ultrassonografia de partes moles pode ser útil para avaliar hematomas profundos ou pequenas rupturas musculares. Ressonância magnética raramente é necessária.

O CID S90 é registrado quando não há evidência de fratura, luxação ou lesão tendínea completa. A diferenciação com entorse (CID S93) é crucial: entorse envolve ligamentos e causa instabilidade; já o S90 é superficial.

Tratamento disponível e opções terapêuticas

O manejo do CID S90 é conservador e focado em alívio dos sintomas e prevenção de infecção:

  • Protocolo PRICE (Proteção, Repouso, Gelo, Compressão, Elevação) nas primeiras 48h: elevar o pé acima do coração, aplicar gelo enrolado em pano por 15-20 min a cada 2 horas, usar meia compressiva leve.
  • Analgésicos e anti-inflamatórios: paracetamol 500-750mg 4x/dia ou dipirona 500mg 4x/dia para dor leve; ibuprofeno 400mg 3x/dia para controle inflamatório (com cautela em pacientes com gastrite ou insuficiência renal).
  • Cuidados com a pele: limpeza da escoriação com soro fisiológico 0,9%, aplicação de antisséptico (clorexidina aquosa) e curativo oclusivo com gaze não aderente. Trocar a cada 24h ou se sujar.
  • Imobilização: raramente necessária; em casos de dor intensa, pode-se usar bota ortopédica walker por 3-5 dias para conforto.
  • Fisioterapia não é indicada de rotina, mas exercícios de mobilidade ativa precoce (após melhora da dor) ajudam a evitar rigidez.
  • Retorno gradual às atividades: após 48-72h de repouso relativo, iniciar caminhada curta com calçado estável.

Caso haja ferimento mais extenso (S90.2 ou S90.5), pode ser necessário ponto simples ou fita adesiva estéril. Antibióticos profiláticos raramente são indicados, a menos que haja sujeira profunda ou imunossupressão.

Quantos dias de atestado médico

O tempo de afastamento do trabalho varia conforme a subcategoria, a profissão e a gravidade. Em média:

  • Contusão leve (S90.0/S90.3): 2 a 4 dias de repouso relativo; atestado de 3 dias é o mais comum.
  • Escoriação ou ferimento pequeno (S90.1/S90.2/S90.4/S90.5): 1 a 3 dias, principalmente se houver risco de infecção no local de trabalho (ex: cozinha, obra).
  • Múltiplos traumatismos (S90.7): 4 a 7 dias, a depender da dor.
  • Profissões de alto impacto (bombeiros, atletas, dançarinos): 5 a 10 dias, com liberação gradual.

O médico deve registrar no atestado o CID S90 específico e a data provável de retorno. Pacientes com atividades sedentárias podem voltar em 1-2 dias. Lembre-se: o CID S90 não justifica afastamento prolongado; se houver necessidade de mais de 7 dias, reavalie a classificação (pode haver lesão oculta).

Quando procurar médico urgente / sinais de alerta

Nem todo trauma superficial é inofensivo. Procure atendimento imediato se:

  • Dor intensa que não melhora com analgésicos comuns.
  • Incapacidade total de apoiar o pé no chão.
  • Deformidade visível (pode ser fratura desviada).
  • Ferimento profundo, com exposição de osso, tendão ou gordura.
  • Sinais de infecção: vermelhidão crescente, pus, febre (acima de 38°C), inchaço que piora após 48h.
  • Hematoma pulsátil ou expansivo (suspeita de lesão arterial).
  • Formigamento, dormência ou palidez nos dedos (compressão neural ou vascular).
  • Paciente diabético: qualquer ferimento no pé merece avaliação precoce para evitar pé diabético.

Nesses casos, o médico pode reclassificar a lesão para outro CID (ex: fratura S92 ou ferimento infectado L02) e indicar tratamento específico.

Prevenção e cuidados contínuos

Medidas simples reduzem significativamente o risco de traumatismos superficiais do tornozelo e do pé:

  • Calçados adequados: usar sapatos fechados com sola antiderrapante, principalmente em idosos.
  • Organização do ambiente: tapetes antiderrapantes, corredores livres de objetos, boa iluminação noturna.
  • Treino de equilíbrio: exercícios como ioga ou tai chi melhoram a propriocepção e evitam quedas.
  • Equipamentos de proteção: caneleiras e tênis adequados para esportes de contato.
  • Cuidados com a pele: hidratação diária evita ressecamento que torna a pele mais frágil.
  • Controle de doenças crônicas: diabetes e neuropatia periférica exigem revisão diária dos pés.

Após um episódio de S90, recomenda-se manter a região limpa, observar sinais de infecção e retomar as atividades gradativamente. Se houver dor persistente por mais de 2 semanas, retorne ao médico para reavaliação.

Dicas de Ouro

  1. 01. Sempre lave ferimentos com soro fisiológico e cubra com gaze estéril – evite algodão ou curativos caseiros.
  2. 02. Gelo nunca deve ser aplicado diretamente na pele; sempre use um pano fino para prevenir queimadura.
  3. 03. Em caso de hematoma grande, marque o perímetro com caneta e observe se aumenta – pode ser sinal de sangramento ativo.
  4. 04. Não tome anti-inflamatórios sem orientação médica, especialmente se usar anticoagulantes ou tiver gastrite/úlcera.
  5. 05. Mantenha o pé elevado acima do nível do coração nas primeiras 48 horas para reduzir edema mais rápido.
  6. 06. Volte a dirigir ou operar máquinas somente quando conseguir fazer movimento de tornozelo sem dor e com segurança.

Perguntas Frequentes sobre o CID S90

O CID S90 garante quantos dias de atestado?

Geralmente de 3 a 5 dias para contusões ou escoriações, mas pode ser menor (1-2 dias) para ferimentos muito superficiais ou maior (até 7 dias) se houver múltiplos traumatismos ou a profissão envolver esforço físico. O médico define de acordo com a avaliação clínica.

O CID S90 é grave? Pode deixar sequela?

Na maioria dos casos não é grave e não deixa sequelas. A cicatrização completa ocorre em 7 a 14 dias. Contudo, se houver infecção secundária ou lesão não identificada (fratura oculta), podem surgir complicações.

Precisa de radiografia para diagnosticar CID S90?

Nem sempre. O médico solicita radiografia se houver suspeita de fratura (Regra de Ottawa para tornozelo e pé). Na ausência de dor óssea ou incapacidade de apoio, o diagnóstico é clínico.

Posso trabalhar normalmente com CID S90?

Depende da sua atividade. Profissões que exigem ficar em pé ou andar muito podem precisar de 2 a 3 dias de repouso. Trabalhos sedentários (escritório) podem ser mantidos já no dia seguinte, com cuidado ao deslocar.

CID S90 pode ser usado para afastamento pelo INSS?

Sim, se o médico julgar necessário mais de 15 dias de afastamento (o que é raro). Contudo, o CID S90 geralmente é de curta duração; afastamentos prolongados exigem reavaliação para descartar outras lesões.

Qual a diferença entre CID S90 e CID S93?

S90 é traumatismo superficial (pele e subcutâneo); S93 é luxação, entorse ou distensão de articulações e ligamentos. A diferença está no comprometimento ligamentar – entorse causa instabilidade e edema periarticular.

É necessário tomar antibiótico para CID S90?

Geralmente não, a menos que haja sujeira profunda (terra, fezes) ou imunossupressão. Nesses casos, o médico pode prescrever amoxicilina 500mg 8/8h por 5 dias. A limpeza adequada é a principal prevenção.

O CID S90 pode recidivar?

Sim, se a pessoa não corrigir fatores de risco (calçados inadequados, ambiente desorganizado). A recidiva em si não é uma complicação, mas sim um novo trauma.

Esporte pode ser praticado com CID S90?

Atividades de baixo impacto (caminhada leve, natação) podem ser retomadas após 48h sem dor. Esportes com corrida, saltos ou contato (futebol, basquete) devem aguardar de 5 a 7 dias para evitar piora.

Qual a diferença entre contusão (S90.0) e hematoma?

Contusão é o trauma contuso que pode ou não formar hematoma. Hematoma é o acúmulo de sangue sob a pele. Ambos fazem parte do mesmo espectro; o CID S90.0 engloba os dois.

Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.

Última atualização: 21/06/2026

Tem um Atestado ou Diagnóstico? Consulte na Clínica Popular

Na Clinica Popular Fortaleza você encontra consultas acessíveis com médicos que explicam seu diagnóstico e orientam o melhor tratamento.

Agendar Consulta

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.

Fontes e referências:
CID10.com.br – S90 |
MedlinePlus – Contusiones

Veja também:
CID R11 – Náuseas e Vômitos |
CID Z000 – Exame Médico Geral |
CID 010 – Tuberculose Pulmonar |
CID 083 – Significado e Cuidados |
CID F41 – Ansiedade |
CID M54 – Dorsalgia |
CID J06 – Infecção Respiratória |
CID J30 – Rinite Alérgica |
CID K21 – Refluxo |
CID N39 – Infecção Urinária |
CID G43 – Enxaqueca |
CID J45 – Asma |
Omeprazol – Para que serve |
Dipirona – Para que serve |
Ibuprofeno – Para que serve |
Amoxicilina – Para que serve |
Azitromicina – Para que serve |
Nimesulida – Para que serve |
Paracetamol – Para que serve