Segundo dados do Ministério da Saúde (2025-2026), cerca de 0,8% a 1,5% dos atendimentos em emergências gerais e perícias médicas envolvem suspeita de simulação de doença (CID Z76.5), com maior prevalência em contextos forenses e de litígios trabalhistas. A conscientização sobre o tema cresceu 34% entre médicos peritos nos últimos dois anos.
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID SIMULACAO-DE-DOENCA e quer saber o que significa? Este artigo explica em detalhes o código Z76.5 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), que se refere à condição em que uma pessoa simula ou exagera intencionalmente sintomas físicos ou psicológicos, sem um transtorno mental subjacente que justifique o comportamento. O termo técnico é “simulação de doença” (malingering), distinto dos transtornos factícios. Vamos esclarecer critérios diagnósticos, implicações legais, tempo de atestado e quando buscar ajuda real.
- Código: Z76.5
- Descrição: Pessoa simulando doença (simulação consciente)
- Categoria: Capítulo XXI – Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com serviços de saúde (Z00-Z99)
- Versão: CID-10 (OMS)
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais; o código é único para simulação intencional. Em alguns contextos, usa-se o CID Z76.5 associado a Z04.8 (exame para fins administrativos) ou F68.1 (produção intencional de sintomas somáticos ou psicológicos – transtorno factício). A diferença crucial está na presença de ganho secundário externo na simulação.
Paciente: Carlos M., 38 anos, motorista de aplicativo
Queixa principal: “Dor lombar incapacitante há três semanas, não consigo trabalhar nem sentar”
Avaliação clínica: Exame físico revelou discrepâncias entre a queixa e os achados: paciente movia-se com agilidade ao ser observado indiretamente, mas durante a avaliação apresentava choro excessivo, desconforto desproporcional ao toque leve e recusa a testes de amplitude de movimento. Ressonância magnética da coluna lombar mostrou apenas discreta protusão discal, sem compressão radicular. Exames neurológicos objetivos (força, reflexos, sensibilidade) normais. Solicitada avaliação psicológica e psiquiátrica, que descartou transtorno factício ou simulação por doença mental.
Diagnóstico: Após avaliação completa, o médico registrou o CID Z76.5 — Pessoa simulando doença. O paciente buscava afastamento remunerado e possível indenização securitária.
Conduta terapêutica: Não há tratamento medicamentoso para a simulação em si. O médico perito encaminhou o caso ao setor de perícia médica do INSS e orientou acompanhamento psicológico para lidar com estressores financeiros e profissionais. O contrato de trabalho foi mantido, mas sem benefício por incapacidade.
Evolução: Após 4 semanas, o paciente retornou espontaneamente ao trabalho, sem queixas. A perícia confirmou a ausência de limitação funcional real.
Lição clínica: Simulação de doença exige abordagem multidisciplinar e sensível, evitando julgamentos, mas também protegendo o sistema previdenciário. O diagnóstico é de exclusão e exige documentação minuciosa.
O que é o CID Z76.5 na prática médica
O código Z76.5 da CID-10 classifica a “Pessoa simulando doença” (simulation of illness, malingering). Trata-se de um diagnóstico situacional, não de uma doença. O paciente intencionalmente produz ou exagera sintomas físicos ou psicológicos, motivado por ganhos secundários externos, como evitar o trabalho, obter compensação financeira, fugir de obrigações legais ou conseguir medicamentos controlados. Diferencia-se dos transtornos factícios (F68.1), onde o ganho é interno (assumir o papel de doente). Na prática clínica, o médico deve suspeitar diante de inconsistências entre a queixa e os achados objetivos, falta de adesão a exames, ou melhora inexplicável após obtenção do benefício. O CID Z76.5 é usado principalmente em medicina do trabalho, perícias previdenciárias, psiquiatria forense e emergências.
Subcategorias e variantes do CID Z76.5
O CID Z76.5 não possui subcategorias oficiais. Contudo, na prática clínica, distinguem-se variações conforme o contexto:
- Simulação pura: o paciente inventa sintomas sem qualquer base orgânica ou psiquiátrica.
- Simulação parcial: exagera sintomas reais (ex.: pequena lombalgia → alega incapacidade total).
- Simulação por terceiros: quando um cuidador simula doença em outra pessoa (criança, idoso) – uso do Z76.5 junto ao Z04.8.
- Simulação em contexto forense: comum em réus que alegam insanidade ou incapacidade mental.
Em alguns sistemas, o código CID F41 (Ansiedade) pode ser usado como diagnóstico diferencial para descartar transtorno factício.
Sintomas e como a condição se manifesta
A simulação não tem sintomas próprios; ela mimetiza quadros reais. Os “sintomas” mais comuns incluem:
- Dor lombar, cervical ou cefaleia crônica sem substrato orgânico
- Paralisia ou fraqueza muscular com exames normais
- Convulsões pseudorrefratárias (crises não epilépticas psicogênicas)
- Queixas visuais (visão turva, perda de campo) sem alterações oftalmológicas
- Fadiga extrema, insônia, perda de memória sem causa neurológica
Características sugestivas: início coincidente com evento estressor (demissão, processo judicial), sintomas que desaparecem quando o paciente pensa não estar sendo observado, recusa a exames complementares, e relato dramático com linguagem emotiva excessiva. O diagnóstico diferencial inclui CID G43 (Enxaqueca), CID M54 (Dorsalgia), e transtornos de somatização.
Causas e fatores de risco
A simulação é um comportamento voluntário, não uma doença. Fatores de risco e motivadores incluem:
- Contexto legal e trabalhista: disputas por aposentadoria, auxílio-doença, indenizações
- Dificuldades financeiras: desemprego, dívidas, falta de rede de apoio
- Transtornos de personalidade: especialmente antissocial, borderline e narcisista (a simulação pode ser um traço)
- Histórico de abuso ou trauma: algumas pessoas aprendem que o papel de doente gera cuidados
- Exposição a modelos: familiares que simulam doenças ou benefícios previdenciários mal fiscalizados
Não há causa biológica; a simulação é uma estratégia adaptativa (disfuncional) para lidar com problemas reais. A avaliação psicológica profunda é essencial para distinguir de CID R11 – Náuseas e Vômitos ou outras queixas somáticas.
Como é feito o diagnóstico diferencial
O diagnóstico de simulação (Z76.5) é essencialmente de exclusão e exige:
- Anamnese detalhada: busca por inconsistências, ganhos secundários, história ocupacional e judicial.
- Exame físico minucioso: testes de validade de esforço (ex.: sinal de Hoover para fraqueza de membro inferior, teste de estímulo doloroso inconsistente).
- Exames complementares: para descartar causas orgânicas reais (RX, RM, eletroneuromiografia, exames laboratoriais).
- Avaliação psiquiátrica: excluir transtorno factício (F68.1), transtorno de somatização (F45.0), hipocondria (F45.2) e depressão mascarada.
- Observação indireta: gravação em vídeo (com consentimento) ou relato de terceiros.
O médico perito pode usar instrumentos como o Structured Inventory of Malingered Symptomatology (SIMS) ou o Test of Memory Malingering (TOMM). A classificação final deve ser registrada como Z76.5 no prontuário, com justificativa clara.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
Não há tratamento medicamentoso para a simulação, pois não é uma doença. A abordagem é:
- Abordagem empática e não confrontacional: o médico deve explicar que os exames não mostram doença grave, mas que o sofrimento relatado é levado a sério.
- Encaminhamento psicológico: terapia cognitivo-comportamental (TCC) para lidar com estressores e buscar estratégias adaptativas.
- Intervenção social: assistente social para mediar questões trabalhistas, financeiras ou legais.
- Em casos de transtorno factício associado: pode ser necessário tratamento psiquiátrico (antidepressivos, estabilizadores de humor) se houver comorbidade.
- Notificação à perícia: em contexto previdenciário, o médico deve comunicar à autoridade competente, sempre com sigilo ético.
O objetivo não é “punir” o paciente, mas redirecioná-lo para recursos que resolvam a causa real do comportamento. Medicamentos como Omeprazol ou Paracetamol podem ser prescritos para queixas concomitantes, mas não tratam a simulação.
Quantos dias de atestado médico
O CID Z76.5, por si só, não gera direito a atestado ou afastamento médico. A simulação consciente não configura incapacidade real. O médico assistente ou perito pode conceder atestado apenas se houver uma condição clínica verdadeira associada (ex.: ansiedade reativa, hipertensão), mas o código principal deve refletir a doença real. Em geral:
- Não há dias previstos para o código Z76.5 isolado.
- Se o paciente insiste em sintomas, o médico pode emitir atestado de comparecimento (1 dia) para avaliação multiprofissional.
- Em perícia, o indeferimento do benefício é a regra.
Na prática, a simulação é detectada em até 40% dos pedidos de auxílio-doença em algumas regiões. O médico deve registrar no atestado o CID correspondente ao achado real, e nunca usar Z76.5 como justificativa para repouso. Veja a FAQ para mais detalhes.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
Embora a simulação não seja uma emergência, situações que exigem atenção imediata incluem:
- Risco de automutilação ou suicídio: alguns pacientes, ao serem confrontados, podem ter reações graves.
- Sintomas neurológicos agudos reais: AVE, crise convulsiva verdadeira, meningite – nunca ignore sinais objetivos.
- Uso de medicamentos controlados de forma inadequada: pacientes podem simular para obter opioides ou benzodiazepínicos.
- Suspeita de violência ou abuso: quando a simulação é imposta por terceiros (criança, idoso).
Se você está sendo pressionado a conceder atestado ou medicamento, procure suporte da equipe multiprofissional e do setor jurídico do hospital. Em caso de dúvida, consulte o CID J06 – Infecção Respiratória ou CID N39 – Infecção Urinária para diagnósticos diferenciais simples.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da simulação está mais no âmbito administrativo e social do que médico. Algumas estratégias:
- Educação da população: informar sobre as consequências legais e éticas da simulação (crime de estelionato previdenciário, art. 171 do CP).
- Aprimoramento das perícias médicas: uso de protocolos padronizados, testes psicométricos e capacitação contínua.
- Apoio psicossocial precoce: pessoas em situação de vulnerabilidade devem ser encaminhadas para serviços de assistência social antes de recorrerem à simulação.
- Registro detalhado no prontuário: documentar todas as inconsistências, exames realizados e condutas adotadas.
- Vigilância em prescrições: controlar a dispensa de medicamentos sujeitos a abuso.
Para o paciente que já foi diagnosticado com simulação, o acompanhamento psicológico e a resolução dos conflitos externos (trabalhistas, familiares) são as únicas medidas que previnem recorrência. Leia também sobre Ibuprofeno para que serve – nunca use anti-inflamatórios sem real indicação.
- 01. Nunca confronte o paciente de forma agressiva; use linguagem neutra e foque nos achados objetivos.
- 02. Documente cada inconsistência no prontuário (ex.: “paciente relatou paraplegia, mas movimentou pernas ao vestir-se”).
- 03. Sempre descarte causas orgânicas reais com exames adequados antes de cogitar simulação.
- 04. Em contextos periciais, solicite avaliação psiquiátrica formal e testes de validade de sintomas.
- 05. Lembre-se: o Z76.5 é um código de exclusão e nunca deve ser usado como “diagnóstico de preguiça”.
- 06. Ofereça encaminhamento para serviço social e psicologia – muitos simuladores têm problemas reais que precisam de apoio.
- 07. Em caso de dúvida, consulte outro colega ou a câmara técnica de perícia médica do CRM.
Perguntas Frequentes sobre o CID Simulação de Doença
O CID SIMULACAO garante quantos dias de atestado?
Não. O código Z76.5 isolado não gera direito a atestado ou afastamento, pois a simulação consciente não representa incapacidade. Apenas se houver uma condição real associada (ex.: transtorno de ansiedade, lombalgia verdadeira) o médico pode emitir atestado, mas o CID principal deve ser o da condição real, não o Z76.5.
Qual a diferença entre simulação (Z76.5) e transtorno factício (F68.1)?
Na simulação, o ganho é externo (dinheiro, fuga de obrigações). No transtorno factício, o ganho é interno – a pessoa assume o papel de doente para receber atenção e cuidado, sem benefício material evidente. O diagnóstico exige avaliação psiquiátrica.
O paciente com CID Z76.5 pode ser preso?
A simulação de doença para obter benefício previdenciário ou indenização pode configurar crime de estelionato (art. 171 do Código Penal Brasileiro). O médico não tem poder de polícia, mas deve comunicar à autoridade competente (INSS, Polícia) quando houver indícios fortes, respeitando o sigilo ético e a Lei Geral de Proteção de Dados.
Como o médico deve abordar o paciente suspeito de simulação?
Com empatia e profissionalismo. Diga: “Os exames não mostram uma doença grave que explique todos os seus sintomas. Vamos investigar outras causas, incluindo fatores emocionais e estresse, para encontrar a melhor solução para você.” Evite acusações diretas.
Quais exames ajudam a confirmar simulação?
Exames complementares normais diante de queixas incapacitantes (RM, ENMG, exames laboratoriais) são o primeiro passo. Testes psicométricos como o SIMS ou TOMM auxiliam, mas não são definitivos. O mais importante é a observação clínica e a inconsistência entre sintomas relatados e comportamento observado.
O CID Z76.5 aparece em prontuários ou pode gerar discriminação?
Sim, o código fica registrado. Por isso, só deve ser usado após critérios rigorosos. O paciente pode ter acesso ao prontuário. O médico deve explicar o significado, evitando rótulos pejorativos. Em alguns planos de saúde, o Z76.5 pode levar a glosa de procedimentos, portanto use com parcimônia.
Crianças ou idosos podem ter diagnóstico de simulação?
Sim, mas é menos comum. Em crianças, a simulação geralmente é induzida por pais ou cuidadores (síndrome de Münchhausen por procuração). Em idosos, pode ocorrer para obter atenção ou escapar de instituições. A avaliação deve ser multidisciplinar e cautelosa.
Qual o prognóstico para quem é diagnosticado com Z76.5?
O prognóstico depende da resolução dos estressores externos. Muitos pacientes, após o indeferimento do benefício ou fim do litígio, simplesmente param de queixar-se. Outros podem desenvolver transtorno factício ou depressão. O acompanhamento psicológico melhora a qualidade de vida e reduz a repetição do comportamento.
Existe medicação para tratar simulação?
Não. Não há remédio para simulação. Se houver comorbidades (ansiedade, insônia, depressão), essas devem ser tratadas com medicamentos apropriados, como antidepressivos (ISRS) ou ansiolíticos por curto período, sempre com supervisão. Exemplo: Dipirona para dor real, mas não para simulação.
O que fazer se um colega médico usa Z76.5 de forma inadequada?
Converse com ele sobre os critérios diagnósticos. Se houver uso reiterado e antiético, denuncie ao CRM (Conselho Regional de Medicina). O CID não deve ser usado como “diagnóstico de exclusão social” ou para justificar recusa de atendimento.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e leituras recomendadas:
CID-10 Z76.5 no site oficial CID10.com.br |
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) – Malingering: revisão de literatura
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