Em 2026, a COVID-19 (CID U071) ainda representa cerca de 12% das internações por síndrome respiratória aguda grave no Brasil, com maior incidência entre adultos não vacinados ou com comorbidades. A variante predominante é a Ômicron JN.1, que embora mais transmissível, tem gerado menor letalidade graças à imunidade populacional e às vacinas atualizadas.
Introdução
Você recebeu um atestado ou diagnóstico com o código CID U071 e quer saber o que significa? Esse código foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificar os casos de COVID-19 confirmados laboratorialmente, quando o vírus SARS-CoV-2 é identificado por teste. Diferente do CID U07.2 (suspeita clínica), o U071 exige comprovação laboratorial. Embora a pandemia tenha sido declarada encerrada em 2023, o código continua sendo usado em prontuários e atestados, pois a doença ainda circula. Neste artigo, você entenderá quando o CID U071 indica gravidade, como é o tratamento e quais sinais merecem atenção urgente.
- Código: U07.1
- Descrição: COVID-19, vírus identificado
- Categoria: Capítulo XXII – Códigos para propósitos especiais (CID-10)
- Versão: CID-10 (OMS), válido até transição completa para CID-11
- Subcategorias: Não há subcategorias oficiais. O U07.1 é o único código para confirmação laboratorial. O U07.2 é usado para suspeita clínica sem confirmação.
Paciente: Maria Aparecida, 52 anos, professora aposentada, hipertensa e diabética tipo 2 controlada.
Queixa principal: Febre alta (38,8°C), tosse seca persistente, perda súbita do olfato e paladar, falta de ar aos pequenos esforços há 3 dias.
Avaliação clínica: Saturação de O₂ 91% em ar ambiente, ausculta pulmonar com creptações bilaterais nas bases. Realizado RT-PCR para SARS-CoV-2 (swab nasal) – resultado positivo. Exames laboratoriais: PCR elevado, D-dímero alto (1200 ng/mL), tomografia de tórax com opacidades em vidro fosco em 30% dos pulmões.
Diagnóstico: Apos avaliação completa, o medico registrou o CID U07.1 — COVID-19 confirmada por teste molecular, com evolução para síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e necessidade de internação.
Conduta terapêutica: Internação em enfermaria, oxigenoterapia suplementar (cateter nasal 3 L/min), dexametasona 6 mg/dia IV, anticoagulação com enoxaparina profilática, monitorização de glicemia e suporte clínico. Em casos leves, o tratamento é ambulatorial com sintomáticos e isolamento.
Evolução: Após 7 dias de internação, a paciente apresentou melhora gradual da oxigenação (saturação 96% sem O₂), sem necessidade de UTI. Recebeu alta hospitalar no 9º dia, mantendo isolamento domiciliar por mais 5 dias. Recuperou olfato e paladar após 3 semanas.
Lição clínica: Mesmo em 2026, pacientes com comorbidades (diabetes, hipertensão) e idade acima de 50 anos têm maior risco de evolução grave para COVID-19. A identificação precoce com CID U071 permite tratamento específico e prevenção de complicações.
O que é o CID U071 na prática médica
O CID U071 (U07.1) é um código provisório inserido na CID-10 em 2020 para classificar a doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) quando há confirmação laboratorial. Na prática, ele é usado em atestados, prontuários e declarações de óbito para indicar que o paciente teve COVID-19 comprovada por teste molecular (RT-PCR, antígeno ou sequenciamento genético).
Diferentemente de outros códigos respiratórios (como J06 para infecções agudas das vias aéreas superiores ou J18 para pneumonia não especificada), o U071 carrega um significado específico: a doença tem etiologia viral conhecida, o que permite notificação compulsória, rastreamento de contatos e aplicação de protocolos terapêuticos direcionados (como uso de antivirais, corticoides em casos moderados a graves e anticoagulantes).
Para o médico, registrar o CID U071 implica responsabilidades legais e epidemiológicas. O caso deve ser notificado ao sistema de vigilância (e-SUS Notifica ou SIVEP-Gripe) dentro de 24 horas. Para o paciente, o código pode impactar a liberação de atestados, afastamento do trabalho e acesso a medicamentos específicos pelo SUS ou planos de saúde.
Subcategorias e variantes do CID U071
O CID U07.1 não possui subcategorias oficiais na CID-10. No entanto, é importante distingui-lo do código U07.2 (COVID-19, vírus não identificado – suspeita clínica), usado quando o paciente apresenta quadro compatível mas não realizou teste ou o resultado foi negativo. Além disso, a CID-11 (já em vigor em alguns países) substituiu esses códigos por “RA01” e “RA02”, mas no Brasil a CID-10 ainda é majoritariamente utilizada em 2026.
Na prática clínica, os médicos costumam complementar o CID U071 com códigos adicionais para descrever complicações: por exemplo, J80 (síndrome do desconforto respiratório agudo), I26 (embolia pulmonar), N17 (insuficiência renal aguda) ou Z11.5 (rastreamento para COVID-19). Essa combinação ajuda no planejamento terapêutico e no registro da gravidade.
Para efeitos de estatística e pesquisa, o U071 é frequentemente agrupado com outros códigos respiratórios virais, mas sua especificidade permite análises precisas de morbimortalidade por COVID-19. Não há divisão por variante (Delta, Ômicron etc.) no código; essa informação é registrada à parte em prontuário ou sistema de vigilância.
Sintomas e como a doença se manifesta
A COVID-19, codificada como U071, apresenta um espectro clínico amplo, desde infecção assintomática até doença crítica. Os sintomas mais comuns incluem:
- Frequentes: febre (≥37,8°C), tosse seca, fadiga, mialgia, perda de olfato (anosmia) e/ou paladar (ageusia), dor de garganta, congestão nasal.
- Moderados: dispneia aos esforços, dor torácica, diarreia, náuseas, cefaleia intensa.
- Graves: falta de ar em repouso, saturação de O₂ < 92%, confusão mental, hipotensão, cianose, sinais de trombose (edema unilateral de membro, dor torácica súbita).
A variante Ômicron (predominante em 2026) costuma causar mais sintomas de vias aéreas superiores (coriza, espirros) e menos perda de olfato, mas ainda pode provocar doença grave em pessoas não vacinadas ou imunocomprometidas. Crianças geralmente apresentam quadro leve, mas podem desenvolver síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C) semanas após a infecção aguda.
O período de incubação médio é de 3 a 7 dias. A transmissibilidade é maior nos 2 dias antes do início dos sintomas até o 5º dia após. Pacientes com CID U071 devem respeitar o isolamento recomendado.
Causas e fatores de risco
A causa direta do CID U071 é a infecção pelo vírus SARS-CoV-2, transmitido principalmente por gotículas e aerossóis respiratórios. Fatores que aumentam o risco de infecção e de evolução grave incluem:
- Exposição: contato próximo com casos confirmados, aglomerações em ambientes fechados, falta de uso de máscara N95/PFF2 em áreas de alto risco.
- Indivíduais: idade ≥ 60 anos, obesidade (IMC ≥ 30), diabetes mellitus, hipertensão, doenças cardiovasculares, doenças pulmonares crônicas (DPOC, asma), imunossupressão (câncer, transplante, HIV não controlado), gestação.
- Vacinais: ausência de vacinação completa ou de doses de reforço, vacinas com baixa eficácia para variantes circulantes (mas ainda protetoras contra formas graves).
A OMS e o Ministério da Saúde do Brasil enfatizam que a vacinação é a principal medida para reduzir o risco de hospitalização e morte por COVID-19. Mesmo infectados, vacinados têm menor probabilidade de necessitar de UTI ou ventilação mecânica.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico para fechamento do CID U071 exige confirmação laboratorial. As principais modalidades são:
- RT-PCR (swab nasofaríngeo): padrão-ouro, detecta RNA viral. Sensibilidade > 95% quando coletado nos primeiros 5 dias de sintomas.
- Teste rápido de antígeno (swab nasal): mais rápido (15-30 min), boa sensibilidade em sintomáticos agudos. Menos sensível em assintomáticos.
- Teste sorológico (IgM/IgG): usado para identificar infecção pregressa, não é adequado para diagnóstico agudo.
O médico também pode solicitar exames complementares para avaliar gravidade: oximetria de pulso, hemograma, PCR, D-dímero, ferritina, troponina, radiografia ou tomografia de tórax. A tomografia é útil quando há suspeita de pneumonia viral com sintomas respiratórios significativos.
Importante: o CID U071 só pode ser registrado após resultado laboratorial positivo. Na ausência de teste, usa-se U07.2 (suspeita clínica). O diagnóstico diferencial inclui influenza (CID J09-J11), outras infecções respiratórias virais e bacterianas.
Tratamento disponível e opções terapêuticas
O tratamento da COVID-19 (CID U071) depende da gravidade e dos fatores de risco do paciente. Para casos leves (sem dispneia, saturação normal), a conduta é ambulatorial:
- Sintomáticos: paracetamol ou dipirona para febre e dor (evitar anti-inflamatórios não esteroides se houver risco renal).
- Hidratação e repouso.
- Antiviral oral (nirmatrelvir/ritonavir – Paxlovid): indicado para pacientes de alto risco (idosos, imunossuprimidos, com comorbidades) dentro dos primeiros 5 dias de sintomas. Disponível no SUS para grupos prioritários.
- Monoclonais (sotrovimabe, casirivimabe/imdevimabe): uso restrito a casos selecionados com evolução desfavorável.
Para casos moderados a graves (com necessidade de oxigênio):
- Internação hospitalar com oxigenoterapia.
- Corticosteroides: dexametasona 6 mg/dia por 5-10 dias (reduz mortalidade em pacientes que necessitam de oxigênio).
- Anticoagulantes: heparina de baixo peso molecular (enoxaparina) para profilaxia de tromboembolismo.
- Suporte ventilatório: ventilação não invasiva ou invasiva em UTI, se necessário.
A recuperação completa pode levar semanas. Sequelas como fadiga persistente, dispneia e alterações cognitivas (COVID longa) são comuns e exigem acompanhamento multidisciplinar.
Quantos dias de atestado médico
Para casos confirmados de COVID-19 (CID U071), a recomendação do Ministério da Saúde e da ANVISA é de isolamento por 5 a 10 dias, dependendo da gravidade e do resultado de teste. Na prática, o médico costuma conceder:
- Casos leves (sem internação): atestado de 5 a 7 dias. Se o paciente permanecer sintomático após o 5º dia, o isolamento pode ser estendido até 10 dias.
- Casos moderados a graves (com internação): atestado varia de 10 a 21 dias, dependendo da evolução e do tempo de internação.
- Profissionais de saúde ou contato com grupos de risco: geralmente 7 a 10 dias, com testagem negativa para retorno.
O atestado médico com CID U071 deve especificar o período de afastamento e, se necessário, a necessidade de isolamento domiciliar. Empregadores e escolas aceitam esse documento para justificar faltas. Para auxílio-doença do INSS, é exigido afastamento superior a 15 dias.
Quando procurar médico urgente / sinais de alerta
O CID U071, por si só, não indica gravidade, mas a doença pode evoluir rapidamente. Procure atendimento de urgência se apresentar:
- Falta de ar em repouso ou dificuldade para falar frases completas.
- Saturação de oxigênio ≤ 92% (medida com oxímetro).
- Dor no peito persistente ou sensação de aperto.
- Confusão mental, sonolência excessiva ou desmaio.
- Lábios ou rosto azulados (cianose).
- Incapacidade de ingerir líquidos ou urinar por mais de 8 horas.
- Sinais de trombose: perna inchada e dolorosa de início súbito, dor torácica súbita com tosse com sangue.
Crianças e idosos podem apresentar sinais atípicos, como recusa alimentar, irritabilidade ou queda do estado geral. Em gestantes, a falta de ar deve ser avaliada com atenção redobrada.
Se você recebeu CID U071 e tem fatores de risco (idade, comorbidades), não espere os sintomas piorarem. Busque avaliação médica precoce para acesso a antivirais e monitoramento.
Prevenção e cuidados contínuos
A melhor maneira de evitar o CID U071 é prevenir a infecção por SARS-CoV-2. As principais medidas preventivas em 2026 incluem:
- Vacinação: manter o calendário vacinal em dia com as doses de reforço anuais (vacinas bivalentes atualizadas para variantes circulantes, como Ômicron XBB e JN.1).
- Máscaras: usar máscara PFF2 ou N95 em ambientes fechados e mal ventilados, especialmente se houver alta circulação viral ou se você pertence a grupo de risco.
- Higiene: lavar as mãos com frequência, evitar tocar olhos, nariz e boca.
- Ventilação: manter ambientes arejados, com janelas abertas ou uso de purificadores de ar com filtro HEPA.
- Testagem: ao apresentar sintomas respiratórios, faça teste antígeno ou RT-PCR. Se positivo, isole-se imediatamente.
Após a infecção aguda, muitos pacientes apresentam sintomas persistentes (fadiga, falta de ar, tosse, ansiedade). O cuidado contínuo inclui acompanhamento com clínico geral, fisioterapia respiratória, suporte psicológico e reabilitação gradual. A chamada “COVID longa” é reconhecida pela OMS e pode durar meses.
- 01. Não confunda U071 com U072: o código U071 exige teste positivo. Se você não fez teste ou foi negativo, o médico pode usar U07.2. Isso faz diferença para notificação e tratamento.
- 02. Guarde o resultado do exame: para comprovar o CID U071, mantenha o laudo do RT-PCR ou teste de antígeno arquivado. Pode ser necessário para atestados ou planos de saúde.
- 03. Sinais de gravidade: mesmo com COVID leve, monitore sua saturação de oxigênio com um oxímetro doméstico. Se cair abaixo de 93%, procure atendimento.
- 04. Vacine-se regularmente: as vacinas contra COVID-19 são atualizadas anualmente para as novas variantes. Tomar a dose de reforço reduz o risco de hospitalização em até 70%.
- 05. Isolamento correto: o período mínimo é de 5 dias. Use máscara mesmo em casa se morar com outras pessoas. Evite contato com idosos ou imunossuprimidos por pelo menos 10 dias.
Perguntas Frequentes sobre o CID U071
O CID U071 garante quantos dias de atestado?
Em geral, o atestado médico para CID U071 concede de 5 a 7 dias para casos leves, podendo chegar a 10 dias se os sintomas persistirem. Para casos graves que exigiram internação, o afastamento pode ser de 15 a 21 dias ou mais, conforme avaliação médica.
O CID U071 é grave?
Não necessariamente. O código apenas indica que a COVID-19 foi confirmada por teste. A gravidade depende de fatores como idade, comorbidades, estado vacinal e presença de sintomas respiratórios. Muitos pacientes têm doença leve e se recuperam em casa.
Qual a diferença entre CID U071 e U072?
U07.1 (vírus identificado) exige confirmação laboratorial positiva. U07.2 (vírus não identificado) é usado quando o diagnóstico é baseado apenas em critérios clínicos ou epidemiológicos, sem teste ou com teste negativo. O U07.1 é mais específico e permite notificação compulsória.
Preciso me isolar se tiver CID U071?
Sim. Por ser uma doença transmissível, o isolamento é recomendado por no mínimo 5 dias após o início dos sintomas ou após o teste positivo (se assintomático). Use máscara e evite contato próximo com outras pessoas até a resolução dos sintomas.
O CID U071 é usado apenas para COVID-19?
Sim, exclusivamente. Ele foi criado pela OMS para classificar a doença causada pelo SARS-CoV-2. Outros coronavírus (como o da SARS ou MERS) têm códigos diferentes (respectivamente, B97.2 e B97.2 com especificações).
Posso receber CID U071 mesmo vacinado?
Sim. A vacina reduz o risco de infecção sintomática e de doença grave, mas não impede completamente a infecção (chamada infecção breakthrough). Pessoas vacinadas que contraem COVID-19 também recebem o código U071 se testarem positivo.
O CID U071 dá direito a auxílio-doença do INSS?
Sim, se o afastamento for superior a 15 dias. Nesse caso, o médico deve emitir um atestado com CID U071 e encaminhar para perícia médica do INSS. Para afastamentos mais curtos, o atestado médico comum é suficiente para justificar faltas.
Como saber se meu atestado está correto com CID U071?
Verifique se o código está escrito como “U07.1” (com ponto). O diagnóstico deve ser “COVID-19, vírus identificado”. Se houver dúvidas, consulte o médico que emitiu o documento. Ele pode esclarecer se o código corresponde ao seu caso.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base na CID-10 (OMS) e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 21/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. O diagnóstico e o tratamento indicados pelo CID devem ser definidos pelo médico responsável com base no exame clínico completo. Não use este artigo como base para autodiagnóstico ou prescrição.
Fontes e referências:
CID10.com.br – U071 |
MedlinePlus – COVID-19 |
BVS – Biblioteca Virtual em Saúde
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